Para Sempre

É fato que nunca tivemos acesso a tantas informações, tantos aparelhos de comunicação e interação e tanta tecnologia moderna ao nosso alcance.
Eu vejo hoje meu filho de 3 anos já tratando celular, computador, iPod e outros aparelhos e jogos eletrônicos como produtos básicos do seu dia-a-dia. E tenho certeza que em pouquíssimo tempo ele dominará esses produtos muito melhor do que eu e o pai dele.
O que me preocupa não é onde vamos chegar e sim como vamos lidar com a velha e nova era ao mesmo tempo. Sendo mais específica, como vamos equilibrar as tarefas tradicionais do dia com as novas tecnologias, principalmente de comunicação.
Hoje, em qualquer lugar que eu esteja, eu estou conectada em alguma coisa. Seja por e-mail, msn, celular, SMS… É praticamente impossível uma pessoa não me achar, não saber onde estou ou não conseguir falar comigo.
Claro que isso não chega a ser uma coisa ruim. Para a minha família, por exemplo, é ótimo poder falar sempre comigo e saber que estou segura em algum lugar. O problema é quando todos querem falar ao mesmo tempo.
No trabalho, ao mesmo tempo que estou concentrada num texto, relatório, plano estratégico ou até durante uma reunião, o e-mail, celular, torpedo, telefone fixo e os 2 programas de mensagem instantânea que usamos não param.
Não, eu não tô reclamando da modernidade, nem tô dizendo que estou enlouquecendo com isso. Mas eu acho que estamos precisando relaxar em alguns momentos e nos concentrarmos no que estamos vivendo agora.
Vejo amigos usarem o blackberry no cinema, em jantares, aniversários… Acho que somos nós que temos que impor limites no nosso nível de “conexão” com o mundo. Quando estou com meu filho gosto de viver aquele momento com ele, quando estou no cinema ou jantando, quero apreciar aqueles momentos com calma. Sem ter a neurose de ver se chegou um e-mail novo ou se alguém me ligou.
Acho que isso independe do trabalho que você tenha. Isso tem muito mais a ver com o estilo de vida que você quer levar. Eu não me importo que no trabalho aconteçam mil coisas ao mesmo tempo. Acho até que eu não aguentaria ter um trabalho rotineiro, tedioso.
Mas na vida pessoal, por que não podemos ficar um pouco menos conectados a tudo e a todos? Por que não voltar um passo atrás e correr menos contra o tempo, fazer uma coisa de cada vez?
Acho que isso é possível e estou disposta a tentar. Pelo menos enquanto meus filhos querem minha dedicação completa e ainda não estão 100% conectados com o mundo. Como essa nova geração está nascendo nessa era digital, altamente conectada, cabe às gerações anteriores se adaptarem e escolherem como querem viver essa transição de ‘eras’. Eles já não terão mais escolha. E também não sentirão saudade de colocar uma carta no correio ou escrever em um papel de cartas porque nem saberão o que é isso. Estar jantando com os pais e atualizando o Twitter será completamente normal e nada enlouquecedor para eles. Mas a gente ainda tem a opção de escolher onde e quando queremos fazer uma coisa de cada vez, sem precisar ser sempre tudo ao mesmo tempo.

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Vovô, o Papai Noel me deu uma ‘telisão’. A boca do Mc Queen é um ‘vevedê’!!

… Hoje não tem mais. O berço deu lugar a uma cama. Uma pequena, mas cheia de independência, cama.
Ontem vi aquele pequeno grande homem dormindo como um anjo pela primeira vez em sua caminha nova. Para ele aquilo é uma grande conquista, afinal agora ele pode entrar e sair sozinho. Não precisa de colo, não precisa da ajuda de ninguém. Ele deita, levanta e sai andando a hora que quiser. E ele tá amando isso.
O berço ele mesmo definiu o destino: vai pro bebê.
“Agora eu e o papai somos os homens da casa. Somos livres e fortes e cuidamos da mamãe”. Tenho certeza que ele pensa isso. Ainda mais agora que não estou podendo pegar peso e estou ainda mais dependente da força do pai. Vejo no olho dele o pensamento de que em breve ele será tão forte e poderá me ajudar também. Ele já corre pra empurrar o carro com o pai; na montagem da cama, correu pra pegar suas ferramentas de brinquedo, e carregou de um quarto pro outro as peças da cama junto com o pai. Tenho certeza que ele já se acha mais forte que eu.
E eu tô amando ter 2 homens me paparicando e me protegendo.
Mal sabia eu que uma pequena cama tinha tanto simbolismo e significado por trás. Meu bebê já era, agora se transformou no mais novo homem da casa.

Eu queria voltar a ter sonhos de criança… Não é um desejo de voltar à infância, mas de dormir e sonhar como elas.
Outro dia meu filho estava dormindo e, com os olhinhos fechados, falou: “eu quero Nemo”.
Fiquei imaginando o que ele estava sonhando…. Um mar azul, com o Nemo nadando…. O ainda pequeno mundinho dele é tudo que cabe em seu sonho. A cada dia ele descobre mais pedaços desse mundo e sua imaginação vai ganhando asas. Por enquanto, seus sonos ainda são embalados por Nemos, golfinhos, macacos, Barneys, Backyardigans….
Queria eu poder comandar sempre os sonhos dos meus filhos para que pensamentos ruins, desastres e pesadelos nunca atormentem suas noites.
Queria eu poder ainda viver, pelo menos durante a noite, no pequeno mundo das crianças e me esquecer totalmente que a vida não é feita só de peixes nadando num lindo mar azul.

Surreal

Posted on: outubro 5, 2009

Em pouco mais de um ano, 24 funcionários da empresa France Telecom cometeram suicídio. E outros 13 tentaram se matar e não conseguiram. Impressionantemente, a cada mês, cerca de 2 funcionários se matam e deixam cartas culpando a empresa que os teria transferido de cidade, ou mudado suas funções, sem os ter consultado antes. Além de impor um rígido sistema de metas individuais, que estimula a competição a qualquer preço entre funcionários até da mesma equipe.

Na semana passada, um funcionário de 51 anos, pai de dois filhos, se jogou de um viaduto, no Oeste da França. Uma mulher de 32 anos pulou do quarto andar do prédio da empresa, em Paris, logo após uma reunião. Não deixou nenhum bilhete e os colegas que estavam na reunião também não comentaram o assunto que estava sendo discutido antes da tragédia.

No site da empresa há um comunicado dizendo que o presidente da companhia tem conversado com o Ministro do Trabalho sobre a situação e que já anunciou algumas mudanças, como colocar psicólogos à disposição dos funcionários e suspender todas as transferências, tanto geográficas como departamentais, pelo menos até o final deste mês para que o programa todo seja reavaliado.

Profissionalmente eu me pergunto o que o depto de Comunicação tem dito a seus funcionários, à imprensa, ao mercado e aos clientes sobre o caso. Como explicar a seus stakeholders que a empresa tem um grave problema interno de gestão que leva seus funcionários a um nível de estresse tão alto que eles só enxergam na morte a solução para os problemas?

Pessoalmente, eu me questiono o que leva um pai ou uma mãe a abandonar filhos, maridos, mulheres, pais e toda a família em função de uma empresa que não o respeita e não o valoriza? Como as pessoas deixam suas vidas chegarem a este ponto?

Essa frase parece apenas um clichê mas eu sempre acreditei nisso e cada vez acredito mais.

Ontem eu estava pensando seriamente em acabar com o blog pq eu achava que era mais um espaço meu de desabafo que não interessava muito às outras pessoas e que talvez um diário privado fosse melhor do que um público.

Hoje logo cedo, uma amiga que eu não falava há algum tempo me enviou um MSN só para dizer o quanto ela gosta e se emociona com as histórias. E, parecendo que ela tinha lido meu pensamento de ontem, pediu: continue escrevendo.

Aliás, já é a segunda pessoa que me fala em tão pouco tempo “continue escrevendo”. A primeira foi uma jornalista do O Globo.

Enfim, como nada acontece por acaso, o pedido funcionou como um incentivo. E o hobby continua firme e forte. ;o)

Nada como uma boa noite de sono para o mau humor passar e a esperança voltar! 🙂

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